NÃO DÁ PRA JUSTIFICAR O INJUSTIFICÁVEL

Publicado: 13 de julho de 2015 por Tiago Vieira em CRÔNICAS JURÍDICAS
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Não é novidade alguma afirmar que, diariamente, a onda de violência urbana cresce exponencialmente em nosso país. Aliás, tem crescido tanto que, apesar do sensacionalismo evidente de alguns telejornais, notícias sobre violência ocupam mais de 80% dos noticiários, com exceção da Rede Globo, que passa um tempo semelhante dos seus telejornais com um único tema (a operação “Lava-Jato”). Esse, no entanto, não deixa de ser um tema importantíssimo que também merece nossa atenção e reflexão.

Diante de tanta violência, perguntas como: “aonde é que vamos parar?”, não são tão difíceis de ser ouvidas. Do mesmo modo, é comum se questionar qual a raiz de tanta violência. Não há uma resposta pronta pra isso, mas é possível afirmar, com certeza, que tanto o Estado como a sociedade e a família falharam em suas missões, ou melhor, vem falhando. O resultado se concretiza no número cada vez maior de crimes bárbaros e impiedosos. Diante disso tudo, mesmo o Estado falhando gravemente na execução da justiça, será que cabe a cada um de nós fazê-la? Seria correto tirar a vida de alguém que nos tirou algum ente querido? Por mais que isso possa soar como justo, um erro não justifica outro. É injustificável reparar a perda de uma vida com outra morte. Pensar assim é lançar mão da humanidade e da civilidade e se entregar à irracionalidade pura.

Lamentavelmente, diante da ineficácia estatal e a crescente estatística da violência, tem sido comum que algumas pessoas, movidas pela sensação de impunidade e pela raiva, tomem pra si o poder de punir. Isso tem culminado em vários linchamentos públicos e, inclusive, alguns acabaram em morte. Caso emblemático que me vem à mente agora é o da senhora que, quando vinha da igreja, foi confundida com uma criminosa que fazia magia negra com crianças. Ela foi linchada até a morte e depois se descobriu que foi um equívoco. Ela foi vítima de uma falsa notícia compartilhada pelas redes sociais (comum em nossos dias). Ainda ontem à noite, o Fantástico mostrou uma reportagem de um fato parecido. Mais um caso de linchamento até a morte, dessa vez, ocorrido no Maranhão. Um dos criminosos foi capturado, amarrado a um poste, sem roupas, e espancado incessantemente. Deprimente foi ver um representante legítimo do Estado (um policial militar) filmando a cena com um celular, quando deveria agir impedindo tal covardia, uma vez que o indivíduo estava totalmente imobilizado e não tinha chances de escapar.

Em ambos os casos, buscou-se realizar a justiça quando, na verdade, o que se conseguiu foi uma falsa sensação de tê-la realizado, juntamente com uma desculpa travestida pra colocar pra fora tudo que há de ruim na natureza humana. Imaginem se todos nós nos achássemos no direito de punir o outro, sem julgamentos ou chances de defesa? Além da potencialidade do erro, contribuiríamos para a construção de uma sociedade cada vez mais retrógrada, além de abrir possibilidades para o arbítrio dos mais fortes, como outrora se verificou em outros momentos da história da humanidade. E, pelo amor de DEUS, quem quer retrocessos?

Tiago Vieira

Crônica Originalmente Publicada no Portal Mais Sertão, na Coluna Jurídica DIREITO EM “PAPO RETO”, sob o link: http://maissertao.com.br/nao-da-pra-justificar-o-injustificavel/

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