OS BACHARELANDOS DE HOJE E A JUSTIÇA DO AMANHÃ

Publicado: 4 de setembro de 2015 por carloshenriquedelimaandrade em ARTIGOS DE OPINIÃO - COLABORADORES

 Fonte da imagem: site nação jurídica

Fonte da imagem: site nação jurídica

Muitos de vocês, caros leitores, já devem ter se questionado sobre justiça, direito e assuntos ligados a tais palavras. Posso apostar também que já devem ter falado que a justiça é falha ou, que o Direito é para quem é rico, que é para defender bandidos etc. Se isso te deixa mais aliviado, saiba que este senso de injustiça e falta de credibilidade no Direito é mais comum que os nomes João e Maria. Ainda mais em se tratando de Brasil e, mais ainda, na atual conjuntura política, onde são descobertos novos esquemas de corrupção diariamente. Queria até convencer – lhes do contrário. Mas, infelizmente, o ditado “contra fatos não há argumentos” não me deixa adotar tal postura. Muitas são as possibilidades de reduzirmos, em curto prazo, a corrupção e esse senso de injustiça. Uma dessas armas é o próprio operador do Direito, principalmente aqueles que ainda estão na academia. Estes, os iniciantes na área jurídica, possuem um importante papel neste objetivo.

Se você é, assim como eu, um Bacharelando em Direito, já se questionou como seus longos anos de estudo irão contribuir para que essa realidade mude? Já se permitiu que o verdadeiro conhecimento jurídico toque sua alma? Se ainda não, AGORA seria um oportuno momento. Infelizmente, ao ler estas palavras, muitos vão repetir: “a coisa não tem mais jeito”! Espero que você, leitor, não se enquadre nesses “muitos”.

Quem me acompanha nas redes sociais, ou me conhece, sabe que Direito em minha vida representa amor. Sendo assim, gosto de estar sempre dialogando com os profissionais formados e, principalmente, com os iniciantes. São muitas as alegrias nesse feedback, mas também muitas tristezas e preocupações. Numa avaliação geral, acredito que os cursos de Direito agregam muitas pessoas inteligentes. A própria concorrência para ingressar em uma Universidade pública no Curso de Direito, ou o valor alto das mensalidades nas Universidades privadas são divisores.

A preocupação começa quando você participa de encontro de acadêmicos em Direito, eventos, discussões, congresso, e percebe que, por mais que o estudante tenha uma MGP superior a 7,00, é desacreditado quanto ao que estuda. Dá pouca importância e deixa suas convicções pessoais prevalecer nas discussões jurídicas. É uma pequena quantidade de estudantes que estudam as leis, princípios e doutrina para aplicar o Direito. Menos ainda são os que entendem seu papel, enquanto futuros operadores do Direito na sociedade. Há certa escassez de “estudantes” de Direito, pois a grande maioria são “concurseiros” da área jurídica.

Os altos salários oferecidos aos bacharéis em Direito tem sito o atrativo dos vestibulandos. Claro que a escolha de uma profissão que te assegure uma perspectiva de um salário bom também deve ser levada em consideração. Mas entendamos o ponto chave: a palavra certa é TAMBÉM, e não ser apenas o salário o único motivo da escolha. Até hoje meus colegas ficam surpresos com minha escolha da advocacia. Sempre digo que estudo pra ser advogado, mas a advocacia é a escolha de pouquíssimos estudantes, sob o argumento de que ganha pouco.

O operador do Direito tem uma função social importantíssima! A sociedade clama por profissionais exemplares do Direito. Devemos sempre nos lembrar de que o amanhã é reflexo do hoje e se buscamos uma formação puramente técnica, visando passar em ótimos concursos, certamente teremos sérios problemas lá na frente. Antes de tudo, devemos almejar proporcionar uma justiça que ainda não gozamos. Essa justiça está lá na Constituição Federal, nos códigos, e para que ela seja efetivada depende, TAMBÉM de nós, futuros operadores do Direito.

Então, se você ainda está em dúvidas quanto à carreira que vai escolher ou se você já é um estudante de Direito, reflita sobre o que VOCÊ pode fazer para que aquela(s) injustiça(s) possa(m) ser reparada(s). Temos uma Constituição maravilhosa, repleta de direitos e garantias que, se cumpridos, viveríamos outra realidade. Ao pegarmos a doutrina e os códigos, devemos sempre assumir um compromisso de buscar consolidar o mínimo de justiça de que precisamos, que nossa própria Lei Maior assegura. Pois, amanhã será provavelmente você o juiz, ministro, promotor, advogado, quem vai aplicar essas leis.

HENRIQUE ANDRADE

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