VOTAÇÃO DO IMPEACHMENT: A PÉSSIMA REPRESENTATIVIDADE E A EXALTAÇÃO À DITADURA

Publicado: 25 de abril de 2016 por Tiago Vieira em CRÔNICAS JURÍDICAS
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Imagem compilada do site nexojornal.com

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Quem assistiu a votação da admissibilidade do Impeachment da presidente Dilma, na Câmara dos Deputados, no último dia 17 de abril, teve a oportunidade de não só conhecer uma fração da atividade parlamentar como também de visualizar os parlamentares que, de certa forma, ajudou a eleger. Mas não foi só isso! Aos que ainda guardam algum senso ético, caráter e um mínimo espírito crítico, foi possível também se envergonhar diante a teatralidade circense ali instaurada.

Sendo golpe ou não, e isso vai do senso de cada um, o fato é que a votação episódica expôs a péssima representatividade de que nós dispomos na Câmara dos Deputados. E não se espantem se o nível for o mesmo no Senado Federal, tristemente. A péssima representação não só se traduz na falta de traquejo com a língua portuguesa. Aliás, não saber conjugar o plural não é defeito algum. No entanto, na posição deles como personificação da nossa voz e vontade, saber usar um português padrão é uma imprescindível obrigação.

Isso, todavia, não é o mais grave. Como se não bastassem os votos com traços personalíssimos em nome do cachorro, do gato e do papagaio e até mesmo o atentado a um dos dez sagrados mandamentos cristãos: “não usar o santo nome de Deus em vão”, os “escrotos” parlamentares pregaram o suprassumo da decência e da moralidade administrativa, a exemplo da deputada Raquel Muniz que, em meio aos inúmeros e entusiasmados “sins” ao impeachment, citou como exemplo de tais atributos a gestão do seu marido (prefeito de Montes Claros – MG), preso pela Polícia Federal – PF no dia seguinte ao da votação, por beneficiar com dinheiro público um hospital de sua família.

Teve até exaltação à Ditadura Militar pelos “Bolsonaros” (pai e filho). Isso, sem dúvida, foi algo repugnante de se ver. Não vivi o Regime Militar, graças a Deus! Mas basta pesquisar e estudar um pouquinho para compreender o que foi esse período. Em seu discurso, o deputado Jair Bolsonaro, além de parabenizar o réu que presidia o processo, como se este fosse a personificação da decência, o deputado Eduardo Cunha, ainda exaltou a ditadura e o coronel Carlos Alberto Brilhante Ulstra, ex-chefe do DOI-Codi – principal órgão de repressão da ditadura militar – e o primeiro militar brasileiro reconhecido pela justiça como torturador.

O deputado Bolsonaro, com seu voto, arrepiou não só a decência e os direitos humanos, como também afrontou a dignidade daqueles que foram vítimas diretas ou indiretas do coronel. Seria crime a postura do deputado Bolsonaro? Infelizmente, já de caso pensado, os parlamentares criaram a seu favor uma coisa chamada “IMUNIDADES – MATERIAL E FORMAL” enquanto estiverem exercendo funções correlatas com a posição que ocupam. Isso está disposto na Constituição Federal, com redação modificada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001: “Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos.” Assim, mesmo o desprezível deputado tendo cometido um crime a luz do Código Penal: “Art. 287 – Fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime: Pena – detenção, de três a seis meses, ou multa“, por conta das tais imunidades, não pode ser preso. Vejam os poderes que conferimos aos nossos parlamentares. Além de não poderem ser responsabilizados pelos crimes que cometem, ainda são os que fazem as leis que nós somos obrigados a obedecer.

Em suma, a votação do Impeachment apesar de todos os seus contrários, serviu para mostrar ao povo brasileiro o tipo de representação que ele tem. Não que isso seja crucial para melhorar a percepção do eleitor quanto a importância do seu voto, mas o escancaramento dessa situação, certamente, mudará o conceito de alguns. É melhor que do nada! De outro lado, diante de tudo isso, ainda me espanta ver o quanto a imbecilidade humana pode ser levada a níveis extremos. Um sujeito desprezível como o deputado Bolsonaro, além de ser um dos parlamentares mais bem votados do país em eleições sucessivas, ainda consegue angariar fã clube. Agora sim cabe a invocação do nome de Deus: “Deus, onde vamos parar!?”

Para quem não assistiu ao voto desse sujeito, o qual me recuso a pronunciar novamente o nome, pode assistir aqui:

 

Tiago Vieira

Crônica Originalmente Publicada no Portal Mais Sertão, na Coluna Jurídica DIREITO EM “PAPO RETO”, sob o link: Votação do Impeachment: a péssima representatividade e a exaltação à ditadura

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comentários
  1. Antonio Ferreira disse:

    É caro amigo! Sabe DEUS onde vamos parar. Então peçamos a ele que dê discernimento a todos nós brasileiros para que aprendamos a dar uma resposta aos “Bolsonaros” e os “Muniz” da nossa politica e olha que não são poucos, e que possamos aprender a votar e procurar eleger como nossos representantes ao menos alguém que tenha descência e caratér, por que é isso que falta e muito aos nossos congressitas.
    Por fim espero um dia ainda viver em uma verdadeira DEMOCRACIA e não num faz de contas como atualmente, onde eu tenha o direito de ir ou não as urnas para lá colocar o meu voto com consciência, porque enquanto nós formos obrigados a votar não passa disso que está ai.

    Curtido por 1 pessoa

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